terça-feira, 29 de maio de 2012

Sobre moda

Gosto muito de uma cena do filme "O Diabo veste Prada" na qual a personagem de Merryl Streep dá uma aula sobre moda para a novata do escritório, interpretada por Anne Hathaway. Esta sorri ironicamente enquanto a editora monta um look para ser fotogrado para a revista. Ao perceber o tom zombeteiro, a chefe discorre sobre toda a cadeia produtiva da moda, quando um estilista escolhe qual cor usará na próxima coleção, o trabalho desenvolvido pela indústria para prover os materiais necessários, os desfiles nas capitais da moda, os copiadores, as empresas de varejo e, finalmente, o consumidor final, entre eles a assistente que usa uma cor que foi usada há três ou quatro coleções anteriores. No discurso aborda ainda o aspecto econômico da atividade, que gera emprego e renda ao redor do mundo.
É interessante analisar os diversos aspectos que envolvem a palavra moda. O dicionário informa que é maneira, costume ou modo.
Como nasci em em 1965, já vi muita coisa ser "moda" por algumas vezes, em ciclos que variam de anos a décadas.
Exemplos:
1) calça cocota ou saint-tropez nos anos setenta, hoje low waist (cintura baixa)
2) calça boca de sino, hoje flare (mais discreta, diga-se)
3) sapato plataforma (desde os tempos de Carmen Miranda...), hoje meia pata
4) camisa jeans, que caiu em desuso no últimos anos e agora é tendência forte
5) sombra azul ou verde: minha mãe usou muuuuito nos anos setenta, passou muito tempo sendo o máximo da cafonice e hoje é super moderno
6) bleu, blanc, rouge, o clássico azul, branco e vermelho: já vi ser têndencia e cafona algumas vezes
7) branco total: já vi gente perguntando "para onde vai a mãe de santo?". Hoje é cool.
A indústria da moda movimenta parcela significativa dos recursos financeiros do mundo e emprega milhões de pessoas. É uma atividade que tem que ser alimentada diariamente por estilistas, tecelagens, jornalistas e celebridades. Celebridades??? Sim, afinal quem é que usa aquela bolsa super hiper exclusiva que vira objeto de desejo e tem fila de espera para as clientes mortais? Faz parte do jogo de marketing das grandes maisons, a maioria das quais parte integrante de grandes conglomerados econômicos. Aqui cabe uma pequena pitada de abordagem psicossocial: as pessoas sentem necessidade de ser aceitas por seus grupos de relacionamento e um dos itens para isso é a quase padronização das vestimentas.
Como o corpo humano não muda (cabeça, tronco e membros) e a maioria das pessoas no mundo usa alguma coisa para se cobrir (umas mais outras menos, é verdade), a moda é uma atividade que sempre terá relevância socioeconômica. Esteticamente, as mudanças não deverão ser tão relevantes como foram nos séculos passados. O futuro das reais novidades na moda dependerá essencialmente do desenvolvimento tecnológico. A pesquisa deve fazer surgir processos de fabricação cada vez menos poluentes, com maior otimização de recursos naturais e redução de custos. Surgirão mais tecidos ditos inteligentes. Já existem alguns que lidam com troca de calor, mantendo o corpo quente no frio e vice-versa, ou evitam a proliferação de bactérias, aspecto muito útil nas roupas íntimas e esportivas.
Devemos ter em mente que a moda deve trabalhar para nós e não o contrário. Não podemos querer comprar, usar, consumir indiscriminadamente em nome do "estar na moda". A moda é que deve atender às nossas necessidades de nos cobrir, nos expressar, nos comunicar. Cada um deve buscar seu equilíbrio a fim de atingir seu bem estar. E a moda deve ser apenas mais um instrumento para tal.

2 comentários:

  1. Olá Ana,
    Feliz de ver como você tem talento para escrever. As palavras fluem facilmente e de forma bem interessante em seu texto. Gostei muito da leitura e vou acompanhar seu sucesso! Bjs...
    Laíse

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    1. Obrigada pelo apoio, querida amiga! Venha sempre!
      Beijos,
      AB

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