Mostrando postagens com marcador Mensagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mensagem. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de julho de 2013

Lição de vida com DVF




Hoje fui assistir a palestra da estilista Diane von Furstenberg (DVF, wrap dress, presidente do CFDA, musa…), que foi à FAAP contar sua rica trajetória pessoal e profissional. Além disso, tive a oportunidade de subir no palco, ao lado de Ale Farah, Camila Coutinho e Mica Rocha, para fazer duas perguntas para ela.
Bom, Diane é uma lição de vida ambulante (tem um resuminho da palestra aqui no site da Vogue) e frisou o tempo todo que sua missão sempre foi ajudar as mulheres a se sentirem poderosas, que sem autoconfiança não vamos a lugar nenhum e que toda mulher deve ser independente. Além dos famosos vestidos estampados, Diane – descobri enquanto pesquisava para bolar minhas perguntas – já lançou um livro com dicas de beleza, um perfume que foi hit (Tatiana) e uma linha de cosméticos.

Como se tornar uma mulher mais atraente, confiante e sensual, by DVF. Já comprei o meu exemplar “vintage” na Amazon, aqui!
Interessante não? Isso foi nos anos 70, e desde então, ela não lançava nada de beleza até seu novo perfume, Diane, que ainda não chegou ao Brasil.
Mas voltando à lição de vida. Diane é uma mulher vivida (já foi até princesa) e tem 64 anos. E não tem NENHUMA intenção de esconder isso do mundo. Ela nunca fez plástica, nem injeções de nenhum tipo. Foi pensando nisso que fiz uma das minhas perguntas. Quis saber o que ela achava desse desejo das mulheres hoje de estarem sempre jovens, do excesso de procedimentos estéticos, do pânico de envelhecer e do fenômeno das mulheres que têm todas a mesma cara… e como ela lidava com essa questão.

Queria dividir com vocês a resposta dela (mais ou menos como lembro, já que não deu pra anotar), que me inspirou muito, e a frase final, que virou meu novo mantra:
“Minhas marcas de expressão são minha vida, e fico feliz de olhar o passado e ver que vivi e me diverti. Por que eu iria querer apagar essas marcas? Sei que muitas pessoas olham para mim e pensam ‘ela deveria fazer alguma coisa nesse rosto!’, mas não ligo. Outro dia recebi lindas rosas, que deixei na minha mesa. Uma semana depois, elas já não estavam mais tão lindas, tinham manchas marrons e estavam caídas. Fiquei olhando para elas um tempo e cheguei a conclusão que… mesmo assim, elas ainda eram lindas rosas! E é isso. Prefiro ser uma rosa velha que uma rosa de plástico”.

Prefiro ser uma rosa velha que uma rosa de plástico! Gente!! Ela foi aplaudida… e ainda completou: “Nunca tinha dito essa frase, mas vou repetir muito!”
Lição, não?

Diane em vários momentos…

… e uma foto-homenagem, da rosa que atualmente habita minha mesa na redação!
*dedico esse post à minha mãe, Suzana, a maior defensora ferrenha da beleza natural que conheço.

Nota da AB:
Não sei se vocês já tinham visto este post. Eu só vi hoje e achei a frase de DVF o máximo!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Para começar bem a semana


Jason Mraz - 93 Million Miles

Prestem atenção na letra, não é muito difícil. Mas é o que toda mãe e todo pai deve dizer para seu filho, mais ou menos assim:
Não importa onde você esteja, se fizer o certo gostará de onde está.
E você sempre pode voltar para casa.
Olhe bem fundo e verá que seu lar está dentro de você.

Boa semana para todos!

AB

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Se liga aí!


Quando For Viajar… Não Coloque Nada Valioso Na Mala Despachada


Diandra Fernandes, 21/08/2012


Coisas assim vão com você, na bagagem de mão, meu irmão.
Pode parecer beabá isso que eu estou falando, mas não é raro de eu ouvir alguém dizendo que colocou computador, joias, iPad etc e tal na mala despachada. Dude, isso é implorar pra ser assaltado. Isso porque com o monte de raios-x que ela passa pelo caminho nestes tempos de “alta segurança” (ironia, não?), a sua mala despachada é a coisa que mais corre riscos. Isso porque super dá pra sacar por gente mal intencionada que se infiltra nos aeroportos ou nas cias aéreas o que tem dentro, e se gostar, abrir e super rápido e devolver a tua mala as if nada tivesse acontecido. Claro que se você mandar lacrar com plástico vai dificultar, mas daí que se dentro for interessante, periga de ficar sem a mala e tudo dentro. E nem em todos os aeroportos dá pra fazer essa.
OK, você é do tipo que acredita em duendes, Papai Noel e acha que ninguém faria isso com a sua mala porque o ser humano merece crédito, que as cias aéreas ficam lá vigiando as suas malas o tempo todo porque né, seria a obrigação delas (e de fato deveria ser assim…) etc e tal. OK, ser utópico, mas eu tenho um outro bom argumento pra você: da próxima vez que embarcar e ficar de bobeira dentro do avião, dá uma olhada em como as pessoas lidam com as malinhas que saem do avião. Conhece arremesso à distância? Pois é, é bem assim que eles colocam a sua mala nos carrinhos, viu. Puxá-la delicadamente e se valer da comodidade das rodinhas? Hehehehe Voando é mais rápido, dude. Sim, eu uma vez fiquei dentro do avião só vendo mala voar pra cima do carrinho. Até então eu pensava que a rodinha facilitava a vida deles as well…. Tolinha. E não pense que um selo de handle with care vai mudar o MO deles. Muda nada, dude. E estas arremessadas podem não só detonar a mala como dar um tilte nos seus eletrônicos dentro dela.
Aliás, eu dou risada quando vejo gente gastando uma bufa em mala pra que elas sejam tratadas just like that.
Fica o lembrete.

Fonte: Dudes Modernos

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sempre é bom lembrar...


Dicas Rápidas À Mesa
14/08/2012, por Diandra Fernandes



Tipo uma listagem de algumas dicas genéricas pra você mantrar quando estiver à mesa social. Ei-las:
  • Mastigue de boca fechada, porfa.
  • Não mergulhe a comida em nenhum líquido.
  • Passe a comida pra quem está à sua direita na mesa.
  • Corte somente a quantidade que vai comer naquela vez.
  • Quando terminar de comer não afaste o prato e nem a cadeira.
  • Nada de esmigalhar torrada sobre a sopa.
  • Não sopre líquido pra esfriá-lo.
  • Se precisar arrotar, cubra a boca com o guardanapo e o faça de forma silenciosa. Um “desculpe” pode cair bem depois.
  • Jamais palite os dentes. De forma alguma.
  • Não balance a cadeira.
  • Se o jantar for na casa de alguém ou mesmo num restaurante não adicione sal ou temperos antes de provar.
  • Se utilizar algum talher ou louça equivocadamente, keep calm e continue usando. Depois peça substituição caso necessário.
  • E se notar que alguém cometeu algum erro à mesa, não diga nada. Just let it be. Porque não tem nada mais deselegante do que ficar apontando ou consertando os erros alheios, ainda mais em público. Na frente dos outros. Seja aonde for. E se alguém fizer isso com você, relaxa. A pessoa que o faz está cometendo um deslize bem mais indelicado e deselegante do que o seu.
Dicas do livro Tudo sobre etiqueta da Mary Mitchell e John Corr.

Fonte: Dudes Modernos

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Saúde é o que interessa!



JULIANA VINES
DE SÃO PAULO

"Se o sedentarismo fosse reconhecido como uma doença, assim como diabetes e hipertensão, seria mais fácil educar a população para a importância do tratamento universalmente eficaz para isso: o exercício físico", defende o médico Michael Joyner, da Clínica Mayo, nos Estados Unidos.
Em artigo publicado no "The Journal of Physiology", o especialista diz que a inatividade é o diagnóstico primário de várias enfermidades, entre elas obesidade, lesões articulares, fibromialgia, hipertensão e diabetes.
Além de ser relacionada ao aparecimento dessas doenças, a ausência prolongada de exercício físico faz com que o corpo sofra mudanças estruturais e metabólicas: a frequência cardíaca pode aumentar muito durante a atividade física, ossos e músculos podem atrofiar e podem diminuir a resistência física e o volume sanguíneo.
Brocreative/Shutterstock
Para médico americano, inatividade é o diagnóstico primário de doenças como obesidade,fibromialgia, hipertensão e diabetes
Para médico americano, inatividade é o diagnóstico primário de doenças como obesidade, hipertensão e diabetes
Essas mudanças no corpo afastam ainda mais o sedentário da atividade, porque, quando ele tenta fazer um exercício, se cansa rapidamente ou sente tontura e outros desconfortos.
Para Joyner, as mudanças metabólicas e as complicações bastam para que a inatividade seja considerada uma doença --e não apenas a causa ou consequência de outras enfermidades-- e o exercício supervisionado seja receitado.
"Se medicalizarmos a inatividade, como fizemos com os vícios do cigarro e da bebida, poderemos desenvolver programas de reabilitação formais que incluam terapia cognitivo-comportamental. Políticas públicas podem agir para limitar o sedentarismo", disse ele, ao site de divulgação científica EurekAlert.
TRÊS MESES
Na mesma edição do periódico, uma pesquisa mostrou que três meses de atividade física melhoram os sintomas de pessoas com um tipo de arritmia cardíaca. O estudo foi feito pela The University of Texas Southwestern Medical Center.
No seu artigo, Joyner diz que essa é mais uma evidência de que a atividade física monitorada deve ser o primeiro passo do tratamento de muitas doenças.
Para os sedentários que tentam começar a fazer exercício, o especialista recomenda que isso seja feito lenta e progressivamente. "Não precisa treinar para uma maratona. Comece com metas alcançáveis", afirma. Dez minutos por dia, três vezes por semana, já é um começo.

Fonte: Folha de São Paulo

Nota da AB: 
Achei bem interessante a sugestão de mudar a forma como enxergamos a inatividade.
Vamos nos mexer!
AB

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Paris: como arrumar mala?

Por Rodrigo Lavalle Consultor Compras indicado pelo Conexão Paris


Uma dúvida freqüente dos leitores do Conexão Paris é como fazer uma mala apropriada para a época do ano na qual viajarão. Qual tipo, estilo e quantidade de roupa levar em uma viagem à Paris no inverno, no verão ou na primavera?
Já fizemos dois artigos dando dicas de como se vestir no inverno (leia aqui) e nas meia estações – primavera e outono – (leia aqui) mas é sempre confuso saber exatamente em qual estação do ano a sua estada em Paris se enquadra.
Vou começar separando as estações, não pelo calendário, mas sim pelo que a gente sente na vida real. A grosso modo temos:
  • Inverno – de novembro a março
  • Primavera – de abril a junho
  • Verão – julho e agosto
  • Outono – setembro e outubro
É bom ressaltar que o tempo em Paris é inconstante. Há duas semanas estávamos com máximas de 30°C e semana passada elas caíram para 22°C. O importante é não fazer a mala com muita antecedência e, antes de começar, consultar os sites de metereologia. No site do Conexão Paris, à direita, vocês encontram um link para um site com previsões do tempo para os próximos 10 dias. Super útil!!!
Algumas dicas para se fazer uma mala prática mas nem tanto…
  • Fazer uma lista de itens importantes e indispensáveis (documentos, remédios, produtos de higiene pessoal, carregadores de bateria, adaptadores de tomada, guias, cartões, óculos de sol, etc) ou com aquelas roupas que você quer levar de qualquer jeito. Pregá-la na porta do armário, assim você não esquece nada e vai acrescentando ou retirando itens conforme seu humor.
  • A lista pode ser substituída por uma gaveta no armário ou na cômoda onde você vai colocando esses itens. O bom desse truque é que já vai dando para se ter uma noção do volume que todos esses itens juntos ocupam.
  • Pensar em looks prontos e cujas peças podem ser combinadas entre eles.
  • Traga roupas de tecidos que não amassem (muito) e que sequem rápido caso você precise lavá-los no banheiro do hotel.
  • Traga as roupas que você geralmente guarda para usar em uma ocasião especial, afinal de contas você estará de férias em Paris e todo dia será um dia especial!
  • Traga de 3 a 5 suéteres ou cardigãs. Suéter em Paris é como camiseta no Brasil, se usa praticamente o ano inteiro.
  • Cores escuras. Emagrecem, a sujeira não aparece e se adaptam bem à cidade.
  • No inverno um casaco mais pesado é suficiente. Lembre-se sempre do look em camadas.
  • Esse é o item mais difícil: 3 pares de sapatos é o bastante! Um tênis, um sapato para usar durante o dia e um sapato para a noite.
  • NÃO traga sapatos novos que você ainda não teve a oportunidade de usar e de ‘amaciar’!
  • Traga uma bolsa com zíper que possa ser bem fechada para evitar que os ‘mãos leves’ consigam pegar sua carteira dentro dela.
  • Não precisa trazer todo o arsenal de maquiagem e produtos de beleza. Traga o básico e de repente compre o resto aqui.
  • Coloque todos os carregadores de bateria, as baterias, os cabos e os adapatadores de tomada dentro de uma necessaire.
  • Traga sacos plásticos vazios para ir colocando a roupa suja/usada.
  • SEMPRE que eu viajo eu levo dentro da mala uma outra mala (dessas de lona que vazias não ocupam espaço). É ótimo para colocar as compras mais valiosas ou frágeis na viagem de volta.
  • Eu nunca levo bagagem de mão porém levo uma bolsa grande onde eu coloco: livro ou revista, iPod, celular, carteira, documentos, remédios básicos, um suéter leve, travesseiro de pescoço, uma cueca limpa, etc…
Óbvio que trazer mais coisas do que se vai vestir faz parte. A gente sempe acha espaço para mais um casaco, mais uma calça e mais um par de sapatos que não vai usar. E eu conheço mulheres que obrigam o marido a ser espartano na própria bagagem para que elas possam usar o espaço que sobra...


No site da Louis Vuitton tem uma seção especial chamada de Art of Packing (clique aqui). Nela eles mostram como fazer a mala (começando pelos itens mais pesados, enrolar as roupas, etc) e como dobrar certos tipos de roupa (vestidos, saias, casacos, trench coats, etc).

Nota da AB:
Já deu para notar que este é um assunto que me interessa? Acho engraçado ler sobre como cada pessoa gosta de organizar sua mala de viagem. Vou tirando uma dica daqui outra dali. Aprendi com minha mãe que, em viagens internacionais, devemos sempre levar na bolsa de mão uma muda de roupa, para o caso do extravio da mala. Confesso que aquele momento de tirar a mala da esteira no destino é o pior momento de qualquer viagem, seja doméstica ou internacional, na ida ou na volta.
AB

domingo, 5 de agosto de 2012

Patrões e patroas sem-noção

RUTH DE AQUINO  é colunista de ÉPOCA raquino@edglobo.com.br (Foto: ÉPOCA)
RUTH DE AQUINO é colunista de ÉPOCA
Você, que não perde um capítulo da novela do mensalão e torce pela condenação de todos os vilões, já parou para pensar se existe uma Carminha em seu íntimo? Lembre que o exercício da cidadania começa em casa, ao acordar para o café.
Você é uma patroete ou patrão sem-noção, que desrespeita as empreguetes – ou valoriza o trabalho de quem limpa, cozinha, lava e passa para você e sua família?
Não faz sentido discursar contra a corrupção na aula de pilates ou no salão de beleza e, durante o alongamento e a escova progressiva, falar mal do “traste” que você mantém em casa, usando a linguagem da novela das 9, Avenida Brasil. Na “liga das patroas” da novela das 7, Cheias de charme, o uso da língua ferina contra as empregadas é mais que um passatempo, é um vício.
Se Zé Dirceu & Cúmplices precisam ser presos para dar exemplo e moralizar a política, como disciplinar as Carminhas soltas e impunes por aí? E olha que Carminha é emergente e já fez de tudo. O Brasil está cheio de Sandrinhas, Therezinhas, Ruthinhas (incluo meu nome para não fulanizar) que nunca fritaram um ovo, jamais fazem sua cama ou lavam suas calcinhas, não servem uma mesa, não lavam a louça e nunca usaram um aspirador de pó ou uma enceradeira. Elas têm horror a detergente e desperdiçam boa parte da vida procurando poeira para dar bronca. Humilham as empregadas domésticas fixas – um luxo no mundo moderno e civilizado. Quem já morou na Europa sabe.
Quando Nina começou a se vingar de Carminha, invertendo os papéis, a novela ficou meio chata. Na voz e nos gestos de Nina, as barbaridades cotidianas se tornam caricaturais, inverossímeis. Antes, tudo estava em seu devido lugar: sininho, exploração, chiliques, maus-tratos. Carminha era sem dúvida mais convincente no papel de patroa perua cheia de grana.
Se você não é uma Carminha, certamente conhece uma. Tive uma amiga de esquerda em São Paulo com atitudes singulares. No quarto, ao lado de sua cama, ela apertava a campainha ao acordar e lá vinha a empregada com bandeja e o café da manhã preparado. A doméstica dormia num anexo da casa, era obrigada a usar uniforme com touquinha. Servia almoço e jantar. Sentava-se na cozinha para ser chamada por um sininho várias vezes durante as refeições.
Conversei com Léa Silva, conhecida como Tia Léa, dona de uma laje no Vidigal, favela pacificada do Rio de Janeiro, onde serve refeições para estrangeiros. Há 38 anos ela trabalha em “casa de família”, desde adolescente. E já penou com Carminhas e Chayenes. “Sabe o que é levar na cama da patroa uma bandeja com café e ela jogar tudo longe, as coisas se esparramarem na cama, porque ela não gostou de alguma coisa?”, pergunta. Tia Léa detesta o som do sininho. Acha campainha menos desagradável.
Não faz sentido discursar contra a corrupção e tratar as empregadas como na novela Avenida Brasil
O macarrão com salsicha que Nina serviu para Carminha é realidade em muitos lares. “Comida de empregada era uma, comida dos patrões era outra.” Numa casa, empregada era proibida de comer as “partes nobres” do frango. “Para nós ficavam as asas, o pescoço e os pés da galinha. Um dia, eu desfiei a asa bem fininha e fiz um empadão para mim e para as outras empregadas. Para quê! A madame chegou e não gostou nada. Acabou pegando o empadão para ela.” Às vezes, não é só a comida que é diferente. Os pratos, os talheres e os copos são separados. Como se patroetes tivessem nojo das empreguetes.
Tia Léa era acordada de madrugada para atender os amigos da patroa. E o quarto de serviço? “Cheio de entulho”, diz. “Aquele chuveiro frio da Nina na novela... é assim em muitos lugares. Eu esperava a patroa sair para esquentar água na panela e tomar banho de baldinho. Colchão costuma ser horroroso. Roupa de cama é o resto do resto.”
Um dos autores de Cheias de charme, Filipe Miguez, me disse que tenta mostrar “de maneira leve” as agressões e irregularidades de uma relação típica de Terceiro Mundo. A patroa Chayene joga sopa na cara da empregada, mas é denunciada na polícia. Em outra casa, uma menina, filha da empregada que morreu, trabalha sem carteira assinada. “No Sudeste, é menos comum, mas no Norte e Nordeste isso ainda acontece muito. A garota cresceu ali, tem casa e comida, e a mentalidade é de casa-grande e senzala”, diz Filipe.
Se é para encher a boca com cidadania, vamos convocar o Supremo para julgar se você é uma patroa cidadã? E não adianta pedir desmembramento do processo para se safar. Sua empregada tem carteira assinada? Direito a INSS, férias e 13º salário? Quantas horas trabalha por semana? Você a chama com sininho e campainha? Grita? Está sempre insatisfeita? Controla o que ela come? As dependências têm dignidade? Preocupa-se com sua saúde ou apenas reclama que ela está doente e deixou você na mão?
Faça esse teste simples. Dependendo do resultado, quem sabe você precisa de uma reviravolta didática em sua vida.

RUTH DE AQUINO - 03/08/2012

Nota da AB:
Transcrevi o texto acima porque é exatamente como penso. Antes de fazer pose de cidadão indignado com a corrupção que assola nosso país, todo mundo deveria fazer o dever de casa, literalmente.
AB

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Desligue o seu celular


Do site Conexão Paris

Acho extremamente desagradável quando sou obrigada a "participar" da conversa telefônica da pessoa que está meu ao lado no metrô, no trem, na sala de espera do médico, no cabeleireiro. Às vezes gostaria de ler, trabalhar ou não fazer nada,  olhar as pessoas e a paisagem e de repente o som invade o espaço e me encontro “participando” de uma conversa que não me interessa.
A estatal francesa RATP, encarregada dos transportes urbanos, e a SNCF, que dirige o transporte ferroviário, lançam com frequência, campanhas educativas. Através de cartazes e caricaturas dos “falantes” estas empresas educam devagar a população criando regras do bom uso do espaço social.
Na Alemanha, a Deutsche Bahn prevê zonas de silêncio onde o menor barulho, a começar pelo telefone, é proibido. A SNCF francesa inventou os IDTGV com ambientes Zen. São passagens especiais e o cliente que deseja trabalhar ou dormir pode encontrar na escolha Zen uma certa tranquilidade.
Em alguns resturantes em Paris, os celulares são proibidos. Eu aplaudo a medida.
Em conversas de fim de noite com amigos brasileiros sobre este “problema”, eles me disseram que no Brasil é normal o telefone tocar nos cinemas, durante a projeção de filmes. Para quem não suporta nem o barulho do saquinho de pipoca, isto é o fim do mundo. Às vezes acabo achando graça destes meus incômodos, já sou uma francesa mau humorada. 
Lina Hauteville 

Nota da AB:
Que o celular é um objeto de grande utilidade ninguém duvida. Duvidosa é a educação das pessoas que o usam com estardalhaço. Mais uma vez, minha palavra para o assunto é parcimônia. Se for imprescindível o uso do aparelho em ambiente público, devemos lembrar que as pessoas ao redor não são obrigadas a participar da conversa como ouvintes e que o uso deve ser o mais breve possível. Se for para "jogar conversa fora", devemos deixar para um momento em que não haja possibilidade de incomodar ninguém.

AB

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Prevenção

Ontem foi meu dia de prevenção ao câncer de mama. Consulta com a médica mastologista e marcação da mamografia. Faço isso anualmente, desde os meus trinta e nove anos. Podem dizer que é chato, que fazer a mamografia causa dor e/ou desconforto, que os consultórios são lotados etc, etc. Mas não tem jeito: a melhor maneira de cuidar de sua saúde e do seu futuro é a prevenção.

Prevenção é melhor do que cura
Estou relatando isto aqui para lembrar a todos da importância da prevenção. Estou seguindo o exemplo da blogueira Consuelo Blocker, pela qual tenho grande admiração, que em março deste ano fez um post sobre este assunto. Como ela, tenho casos de câncer na família.

Quando falo prevenção, não me refiro somente ao câncer de mama. É importante também lembrar do câncer de próstata nos homens e do câncer de pele para todos, independente do sexo e da idade. Estes são só alguns tipos de câncer para os quais existem métodos preventivos e de precoce diagnóstico. Devemos ter sempre em mente que vale o conjunto da obra, ou seja, o cuidado geral que cada um deve ter com seu corpo e sua mente. Alimentação saudável, atividade física regular e paz de espírito devem ser cultivados com persistência. Por tudo isso, se lembrem: não descuidem de sua saúde e lembrem às pessoas ao seu redor para fazerem o mesmo.

Deem uma olhada nestes sites:

Boa sorte e boa saúde para todos!
AB

terça-feira, 31 de julho de 2012

Voltar a Paris

Entre muitas motivações, a gente escolhe a cota que nos cabe para desembarcar em Paris pela primeira vez.  Realizar um sonho que tem como cenário a cidade inteira, satisfazer uma curiosidade sem traços definidos, adquirir objetos de desejo, expor-se  a impactos culturais e comportamentais, experimentar  aquele prato naquele restaurante, poder dizer “eu já estive lá”, cumprir uma etapa da viagem que se estende por vários lugares  –  ou tudo isso misturado.
Voltar a Paris é partir em busca de si mesmo. Não importa que entre uma viagem e outra você e a cidade tenham mudado nisso ou naquilo. Há  sempre por fazer algo que faltou, permanecem as doces ou excitantes lembranças que impelem à repetição com a sabedoria adquirida, algo aconteceu de novo que você quer conferir de perto. Ou, simplesmente, você não resiste à tentação poética/patética de dobrar uma certa esquina e encontrar, intacto, o  momento, a descoberta, o enlevo, a comunhão que sabe sem retorno.
O melhor de tudo é que a primeira volta não cura. Vicia. Torna-nos  um pouco fiscais ranzinzas e  guardiães zelosos de paisagens físicas e humanas. Irrita-nos encontrar mais uma loja cintilante  do “Macdô” ocupando o espaço da  papelaria quase centenária, de fachada tão desbotada quanto a velhinha de xale atrás do balcão. Parece que ninguém mais manda cartas e as velhinhas trajam Adidas. Encanta-nos a proliferação de riquixás,  permitindo-nos trafegar com calma e correção ambiental, enquanto alguém pedala por nós. Diverte-nos a mudança de idiomas e tonalidades dos turistas, conforme a crise da vez. Na mídia, já não levamos muito a sério os  cartesianíssimos  debates, em que mudam apenas os vilões de cada discurso e os perigos de cada momento. De parte a parte, os argumentos podem ser idiotas, mas a gramática é impecável. Em compensação, somos acolhidos por exposições,  espetáculos e acontecimentos  que, por si,  já valeriam a viagem.
É nesse ponto que você cede à ilusão de que já faz parte de tudo isso.  De repente, a campainha da vida toca e termina o recreio. Que pena e que bom. Que pena devolver as roupas aos armários de casa, que bom as malas terem voltado em bom estado, para encherem-se novamente de saudades, projetos e emoções.  Você pode até fingir que não pensa na próxima vez. Até achar no bolso do casaco um bilhete esquecido de metrô.

Nota da AB:
Copiei este texto do site Conexão Paris pois reflete fielmente meu sentimento em relação àquela cidade emblemática pelos mais variados motivos. Sei que muitos vão concordar comigo. Outros vão me chamar de arrogante. Que que eu posso fazer se fui contagiada por esta dócil doença chamada Paris?
AB

terça-feira, 17 de julho de 2012

Ainda sobre alimentos

Lembram quando falei do meu antigo trauma com quiabo? Vocês podem reler clicando aqui.
Pois bem, aquele foi só um exemplo da política de minha falecida mãe para com os alimentos. Ela dizia: "se não provar, não pode dizer que não gosta".
Em muitas coisas ela era sábia. E no quesito alimentação, a postura dela me fez provar muitas coisas que minhas amigas daquela época nem cogitavam ver em suas casas. Quando criança, comi coração de boi guisado em iscas, língua de boi com molho de vinho, ensopado de músculo, dobradinha com feijão branco, coelho e pato da nossa criação no sítio (com estes dois últimos, ela me enganava dizendo ser galinha porque eu tinha pena de comer meus companheiros de brincadeiras).
Cérebro de boi não consegui nem provar, pois para mim aquilo fedia. E neste prato ela não insistiu muito.
Passaram-se os anos e hoje eu procuro provar de tudo. Menos insetos. Provo todos os legumes e verduras novos para mim. Mas quiabo, jiló e maxixe não entram de jeito nenhum ainda.
Até hoje adoro comer rabada de boi, com batatas e agrião. Como também com prazer os frutos do mar, até aqueles que não sei o nome (aconteceu isso no Chile).
Sabem aquela célebre frase (desconheço a autoria) que diz "só se aprende a ser filho quando se é pai"? Para mim, é totalmente verdadeira.
Hoje reconheço que aquela forçação de barra que minha mãe fez foi fundamental para minha educação e, consequentemente, de meus filhos. Quando as minhas crianças começaram a comer, sempre tentei que provassem tudo antes de dizer que não gostavam. Mas sem forçar, apenas oferecendo.
AB

quinta-feira, 12 de julho de 2012

As Três Peneiras de Sócrates

Essa mensagem circula pelo mundo afora há um bom tempo e é muito importante aprendê-la ou relembrá-la.
Particularmente acredito que utilizar essas peneiras em relação ao que nos dizem é desnecessário, pois é melhor que sejamos o último elo do que nos dizem do que fomentar uma discussão (caso não passe pelas peneiras).
Essas três peneiras condizem diretamente ao que nós vamos dizer… E não para ficar apontando nos outros.
AB


As Três Peneiras de Sócrates

Um homem foi ao encontro de Sócrates levando ao filósofo uma informação que julgava de seu interesse:
- Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu!
- Espera um momento – disse Sócrates – Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.
- Três peneiras? Que queres dizer?
- Vamos peneirar aquilo que quer me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção. A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade?
- Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.
- A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?
Envergonhado, o homem respondeu:
- Devo confessar que não.
- A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?
- Útil? Na verdade, não.
- Então, disse-lhe o sábio, se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor que o guardes apenas para ti.

domingo, 8 de julho de 2012

Turistas ou viajantes?

Vejam se já conhecem este texto abaixo. Se sim, vale a pena ler de novo. Se não, aproveitem para ver a opinião do autor sobre turistas e viajantes.
Outros textos interessantes do mesmo autor em http://interata.squarespace.com/

Somos turistas ou viajantes?  

Posted on 04-11-2009 by Arnaldo Interata 
 Não importa como classificam os que viajam:  "turistas"  ou "viajantes", somos todos UM. (somos únicos, assim como o pombo acima que olha pra um turista (eu) que o fotografa em Valleta, Malta)

Turista (eu) fotografando o pombo acima

                     É comum que alguns seres humanos classifiquem outros seres humanos segundo os diferentes modos de conduta social de cada grupo.  Nada de errado.  
                 Acontece que nem sempre o intuito de enquadrar e definir pessoas segundo seu comportamento se justifica.  Pior, frequentemente cria estereótipos e esbanja superficialidades.  
                 Classificar a complexidade humana em apenas duas categorias -  seja lá em que gênero for -  quase sempre dá nisso. 
                      Há, todavia, um tipo específico de classificação que me interessa discorrer: são os "turistas" e os "viajantes", aqueles estereótipos criados pela sócio-antropologia, aquela que define o ser humano em viagem segundo seu comportamento e atitudes e opõe o caráter do turista ao do viajante, resumidamente atribuindo ao primeiro o título "de massa" e ao segundo o de "individual".  E de sobra ainda distingue fortemente "viagem" de “turismo”.
                    Um dos autores mais citados na produção acadêmica sobre turismo é Malcolm Crick, um estudioso que escreveu que a literatura sobre viagens do século XIX retrata uma "viagem" como sendo uma “experiência restrita e valorizada”. Já os relatos do século XX, ao contrário, descrevem o "turismo" como "de massa", classificando-os como uma "descendência degenerada" da "viagem". 
               De acordo com o autor, essa “inferiorização” (aspas minhas) se reitera em parte da produção acadêmica, na qual se assinala a conexão etimológica do termo viajar (travelling) com a noção de trabalho (travail), enquanto no turismo o indivíduo almeja a passividade, não a atividade. Sentido faz.
            "Turistas procuram na cultura local aquilo que se ajuste às suas necessidades.", está é uma das definições mais comuns ao "turista".   Segundo o personagem Port -  em  "O céu que nos protege", de Bertolucci, (1) -  “o turista pensa em voltar para casa assim que chega”.  O turista é tido invariavelmente como aquele que desembarca de um ônibus turístico de dois andares com ar condicionado, compra souvenir em lojas turísticas, anda em grupo, carrega câmeras filmadora e fotográfica, usa roupa de turista (camisa florida, chapéu de safari e chinelos com meia), carrega mapas, come no McDonalds, não se esforça em falar palavras no idioma local e jamais se senta ao lado de um local, mas sempre com seus “semelhantes”.  Faz sentido.
Os ônibus " não turísticos"  de Malta são os mais turísticos do Mundo
               No espetacular filme de Bertolucci, os personagens Kit e Port buscam na vastidão do Saara um sentido para suas vidas, novas experiências na esperança de reconstruir as suas próprias vidas e, com isso, salvar um casamento de dez anos, em crise. Daí, o casal não se considera turista, mas viajante. Diferentemente, o amigo Turner se considera um turista, pois não vê a hora de retornar para casa.
Turístico turista (eu de novo) bem típico
                           Pode ser. Mas se aceitarmos essa distinção entre "viagem" e “turismo” como algo estabelecido, por certo o assunto se encerra e não cabem discussões.
                          Todavia eu acredito que tal classificação adquire conotações bem mais amplas e particulares, que ela vai muito além da oposição entre o caráter individual vinculado à viagem e o caráter de massa atribuído ao turismo.
                           Creio mesmo que deveria haver ao menos duas novas categorias a somarem-se à dos “viajantes” e dos “turistas”, a dos “turisjantes” e a dos “viajistas”, o que decerto além de ampliar o espectro aceitaria que uns podem encerrar características de outros. Eu mesmo frequentemente me enquadraria em todas as quatro.
                          Pessoas são diferentes. E em viagens não fogem à regra. Os espertos tentam categorizar os seres humanos em viagens em apenas duas espécies: a de pessoas “viajantes” e pessoas “turistas”. Baseadas fundamentalmente na maneira como elas se comportam em viagens. É algo que vejo como uma tentativa de enquadrar o universo em um cubo e colocá-lo sobre a mesa.
                           Sem dúvidas é possível não apenas definir como classificar grupos humanos, contudo é definitivamente impossível encarar a complexidade dos seres humanos e seu comportamento social de maneira tão simplista e ter sucesso. O resultado disso serve apenas para gerar discussão e criar estereótipos.
Os ônibus turísticos de Barcelona são uma forma econômica de circular
que viajantes dispõem para conhecer os pontos turísticos da cidade
                        Os estereótipos "turistas" e "viajantes" são assim definidos:   de um lado, os "turistas" seriam aqueles que esperam que suas viagens sejam o mais parecidas com seu jeito de viver, aqueles que tendem a levar a casa nas malas, que preferem não ter que tomar decisões no destino, para quem as variações inesperadas tendem a ser mais estressantes do que o normal. Frequentemente são aqueles que se encontram nos resorts bacanas cuja estrutura é tão completa que não precisam sair deles. Ou as que optam incondicionalmente por viagens em grupos. Seriam os típicos viajantes de excursão. Turistas viajariam por ociosidade. Faz sentido.
 Pessoas são diferentes ou não são?  Crianças Pataxós na Praia do Espelho - Bahia
                     Do outro lado estão os "viajantes", aqueles com espírito mais aventureiro, os que procuram situações novas e mergulham mais profundamente na cultura local. São os que viajam com maior autonomia e optam por comer em lugares mais comuns aos locais, não turísticos, os que invariavelmente usam transportes públicos e evitam grupos. Faz sentido.
                       Viajantes aceitam e se ajustam à cultura local da melhor maneira possível. Segundo o personagem Kit, do mesmo filme, “o viajante pode nem voltar”. Estes esforçam-se para comunicarem-se no idioma do país que visitam, sentam-se ao lado dos locais e comem sua comida. Tiram fotos discretamente e não usam guias locais, consultam seus guias de viagens. Viajantes viajariam por curiosidade.
                  OK, as definições correspondem à realidade, não se pode negar.   Mas todos nós nos identificamos com um pouco de ambas as classes, certo? Portanto, não podemos ser classificados apenas como “viajantes” ou “turistas”, já que frequentemente podemos nos comportar como um e como outro, até mesmo durante uma mesma viagem.
                A maior parte das pessoas em viagem foi, é ou será um pouco "turista" e um pouco "viajante". Todos acharão que há algo de “errado” em ambas as categorias, que não se enquadram na sua categoria, mas igualmente todos se indenficarão com algumas de ambas. Não há nada de errado em nenhuma delas, ainda que eu alguém se idenfique mais com uma ou outra categoria.
                Por vezes me sinto mais “viajante” do que  "turista", noutras me enquadro em ambas. No problem! Sem preconceito. Sou turista tanto quanto sou viajante.
               Numa viagem de conhecimento, fundamentalmente me considero um turista: com câmera, mapa e tudo mais o que caracteriza um visitante num país estrangeiro ou noutra cidade que não a minha.
              Em viagem de conhecimento e exploração, não é porque pegamos um ônibus turístico com ar condicionado que devamos nos sentir “menos” viajantes do que qualquer outra pessoa. Você foi lá tanto quanto ela, somos todos visitantes.
              O que nos difere fundamental e incontestavelmente é: disponibilidade financeira, modo de vida, idade, grau de aceitação de desconforto, aptidões físicas, saúde, capacidade de locomoção, grau de medo, despreparo e desconhecimento. Certamente o leitor encontrará outras tantas e as registrará na caixa de comentários.
Ruas e janelas de Valleta - Malta (vistas sob a ótica fotográfica de um turista comum: eu)
               Eu jamais viajaria o mundo com uma gigantesca mochila nas costas aos 57 anos de idade, mas já fiz isso algumas vezes aos 18, não pelo mundo, mas pelo Brasil. Valeu muito, mas apenas naquela época poderia ter valido, hoje seria um programa insuportável.    A maioria das pessoas tem um certo padrão de conforto e de exigência que determina até onde está disposto a se submeter, e tais padrões diferem grandemente, o que nos aproxima de sermos mais ou menos turistas, mais ou menos viajantes. Não obstante, todo viajante deva ter alguns graus a mais de tolerância e complacência do que tem em sua casa, combinado com uma boa dose de senso comum e ótima dose de senso de humor.
                      Não se pode definir que apenas o "viajante individual" viaja com autenticidade e que o "turista” não tem esssa experiência, ainda que seja verdade que o “turista” tende a cumprir uma programação previamente definida por agentes, cujo roteiro é escolhido pelo viajante segundo suas possibilidades financeiras e pessoais.
                   Será que não é possível haver turistas que viajam por curiosidade e viajantes que viajam por ociosidade? Não será possível aceitarmos que para além de turistas e viajantes haja outras classes? Será que apenas turistas têm poder aquisitivo para desfrutar de conforto e segurança, desejo de planejar para que riscos de erros se minimizem? Será que todas as pessoas que pertencem à elite financeira que faz turismo é necessriamente turista, não pode ser viajante? Será que viajantes não podem ser turistas ocasionalmente, e vice-versa? Será que apenas viajantes sentem o prazer da descoberta, o encantamento da novidade, a alegria do inesperado?

                        Eu sou turista, viajante, turisjante e viajista! E você?
                        Boas viagens, que é o que interessa!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

"Haviam" coisas, por Fernanda Torres


“Haviam” coisas

Fernanda Torres
02 junho 2012

Felipe Pinheiro, meu saudoso amigo, costumava fazer uma brincadeira que adoro repetir sobre a epidemia do “pra mim fazer”. Quando um “pra mim andar” ou “pra mim comer” lhe feria os ouvidos, meu compadre franzia as sobrancelhas e repetia, entre o irritado e o desesperado: “Mim não faz nada! Mim não anda! Mim não come! Mim não faz coisa nenhuma!”.
Existem infindáveis “mins” realizando façanhas por aí, com o risco, inclusive, de ser aceitos pela norma culta. Se os que defendem que a linguagem já nasce com o homem estiverem corretos, e o neném berrar na sala de parto seguindo a concordância, o “pra mim errar” deve ser um defeito grave de fabricação.
Meu mim não age. É dos poucos orgulhos que eu tenho do meu português. Tenho um conhecimento pífio de gramática, escrevo de ouvido, herança da escola experimental. Passei anos com medo de desejar um bom-dia por escrito ao João Ubaldo Ribeiro. “Será que tem hífen?”, eu pensava. Um bloqueio assustador, como se estivesse prestando um exame. Só usava frases curtas, quase bilhetes e, mesmo assim, no sufoco.
Recentemente, eu me correspondi com um conterrâneo do Ubaldo igualmente culto e amante da última flor do Lácio. Fui bem, consegui desenvolver um raciocínio aceitável, mas, lá no fim do último parágrafo da caudalosa epístola, escrevi que “haviam incongruências”. As incongruências não importam, já o haviam…
“No Brasil, usamos o verbo ter no lugar do haver. ‘Tem um buraco enorme do lado esquerdo.’ Pois bem, mesmo que fossem dois (ou sete) buracos, o verbo permaneceria no singular: ‘tem sete buracos enormes do lado esquerdo’. Igual a ‘há sete buracos enormes do lado esquerdo’. Até aí, tudo bem, ninguém erra se usar o verbo haver: ninguém diz ‘hão sete buracos enormes’. Mas, se vai para o passado, neguinho fica com medo de não fazer a concordância e flexiona o verbo: ‘haviam sete buracos’. O certo é ‘havia sete buracos’. Nem ‘houveram sete assaltos’ (saí do buraco porque não dá para fazer uma frase convincente com buracos e o verbo no pretérito perfeito: houve, houveram; o imperfeito é havia, haviam).
O certo é ‘houve sete assaltos’. Ou ‘teve sete assaltos’. Claro que com o verbo ter você vai encontrar situações de flexão correta: ‘Os bancos tiveram sete assaltos este mês’. Porque aí o sujeito da frase é ‘os bancos’. É como dizer ‘os bancos sofreram sete assaltos’. Mas dizer que meramente houve assaltos não implica ‘assaltos’ ser o sujeito. Houve o que houve, há o que há, havia o que havia; o verbo haver aí é impessoal. O verbo ter, quando o substitui em casos iguais, também.”
Agradeci de joelhos a paciência e a aula, mas o lodaçal piorou. E existe? Existem sete buracos? Ou existe sete buracos? Quem existe é o buraco, então, deve ser existem. E os dias? “Hoje é 15 de setembro”? Ou “são 15”? As horas eu sei que são. E faz? É impessoal ou não? “Fazem quinze anos” ou “faz quinze anos”? É faz. A razão, segundo fui informada, beira a filosofia: é porque o tempo é.
O pediatra do meu filho tinha 14 anos quando enfrentou uma sequência de zeros distribuída democraticamente pelo professor belga de matemática do Santo Inácio. O pai recorreu a aulas particulares com um conterrâneo do mestre. O europeu mal-humorado explicou que só existem quatro operações relevantes: soma, subtração, multiplicação e divisão, depois, escreveu na lousa: 2+2, 2-2, 2×2 e 2:2 e pediu que o aluno resolvesse. Quando o rapaz terminou, o professor aconselhou um reforço em português. A dificuldade estava na leitura do enunciado dos problemas. Todas as falhas de compreensão pertenciam à lógica.
Nesse quesito, português só perde para a física em matéria de dificuldade.
O pouco que fixei, hoje, só me serve para entregar a idade.
A última reforma ortográfica dizimou os acentos. O computador conserta, mas eu redigito o agudo do “o” de “jóia” e “clarabóia”. Não aguento “joia” e “claraboia”. Vôo, também, não tem mais circunflexo, virou “voo”. E não se distingue mais “história” de “estória”, uma sutileza que me agradava imenso.
Depois de tanta ignorância confessa, só não peço demissão por medo de redigir a carta.


Nota da AB:
Tive excelentes professores de português em toda minha vida escolar. Considero que aprendi direitinho. Mas como Fernanda Torres, ainda estranho muito a nova ortografia após a reforma. Desculpem aí qualquer errinho...

sábado, 16 de junho de 2012

Desculpem o hiato

Caros amigos,
Ao iniciar as postagens no blog, minha intenção era que isso fosse uma atividade frequente, quase diária. E continua sendo. Porém houve um probleminha que me fez ficar no "estaleiro" por alguns dias. E ainda estou nele, mas começando a botar o nariz de fora.
Por isso, peço desculpas pela ausência e rogo que continuem me dando alguns minutos de seus dias.
Como dizia Ibrahim Sued, polêmica figura carioca, "a demain que eu vou em frente"!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Como arrumar uma mala de viagem

Estamos nas vésperas de um feriado e achei oportuno abordar este assunto. Para mim, a tal da mala é o calo da viagem. Mas se é inevitável, temos que tentar fazer o melhor. Veja as dicas que achei no site HowStuffWorks-Como tudo funciona. Veja aqui.

A mala é essencial em uma viagem, mas pode virar um estorvo quando arrumada sem critérios. Não é à toa que no Brasil o utensílio já virou sinônimo para gente chata. Existem alguns truques que ajudam na hora de escolher os pertences e organizá-los no espaço compartimentado, que parece muitas vezes ser insuficiente:
  1. Separe objetos de uso obrigatório - óculos, lente de contato, remédios e escova e pasta de dentes - e coloque-os em uma mala de mão, juntamente com passagens, uma muda de roupas para imprevistos, câmera fotográfica e objetos de valor;
  2. Embale produtos líquidos em sacos plásticos. Ganhe espaço usando embalagens reduzidas para shampoos, condicionadores e perfumes. Esse cuidado evita que roupas sejam manchadas em caso de vazamentos;
  3. Opte por roupas versáteis, que possam ser usadas de dia ou de noite e que permitam combinações;
  4. Escolha uma mala com rodinhas. No final da viagem, quando a mala certamente estará mais pesada, elas vão fazer diferença.





mala-de-viagem­

Separados os pertencentes, é hora de organizá-los na mala.
  1. Embale meias e roupas íntimas em saquinhos de tela ou de pano e coloque-os dentros dos sapatos;
  2. Coloque no fundo da mala os sapatos embalados em saquinhos. Opte por levar três pares de sapatos-coringa: um formal, um informal e uma sandália;
  3. Coloque as calças sobre os sapatos com as as pernas para fora da mala. Você só vai dobrá-las depois de colocar as outras peças. Elas não ficarão amassadas;
  4. Vire casacos e paletós do avesso e, com as mangas para dentro, dobre-os ao ao meio uma vez e coloque-os sobre as calças;
  5. Vestidos e saias também vão do avesso, dobrados ao meio, sobre os casacos e os paletós;
  6. Enrole camisetas e blusinhas e arrume-as sobre as saias e os vestidos;
  7. Enrole os cintos e os acessórios e coloque-os nos vãos livres. Se a viagem for de avião, não esqueça de colocar também os objetos pontiagudos embalados: alicates, tesourinha e lâmina de barbear;
  8. Agora dobre as pernas das calças que estavam para fora, cobrindo assim todas as coisas colocadas na mala.

Dicas
  • Roupas sujas devem ser colocadas em saquinhos para não se misturarem às sem uso;
  • Leve uma caixinha de costura bem pequena, para pregar um botão que soltou ou disfarçar aquele furinho que você não havia notado antes;
  • Personalize a mala, colocando uma etiqueta de identificação ou uma fita colorida, para que ela seja reconhecida facilmente no local de desembarque.

    Também achei interessante este vídeo. Dá uma olhada.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Força no protetor solar!


A foto acima foi divulgada na página inicial da UOL de hoje. Chamou muito minha atenção o estado da pele do homem que trabalhou por 28 anos como caminhoneiro, levando mais sol no lado esquerdo do rosto.
Aproveito a oportunidade para lembrar a todos sobre a importância da prevenção do câncer de pele, doença grave causada principalmente pela exposição excessiva ao sol.
Veja abaixo o texto integral da reportagem da UOL:

04/06/2012 
12h54
Rosto esquerdo de homem mostra efeitos da exposição crônica ao sol

Um homem de 69 anos apresentou um enrugamento da pele muito maior do lado esquerdo do rosto. O motivo? Os raios ultravioletas (UVA) que atingiram seu rosto durante os 28 anos em que trabalhou como caminhoneiro.
Os pesquisadores da Universidade de Northwestern, em Chicago, estudaram os efeitos da exposição sofrida pelo caminhoneiro durante esse período e o resultado foi publicado no New England Journal of Medicine.
“Os raios transmitidos pelo vidro do automóvel atingiram as camadas da epiderme e da derme superior”, afirmou Jennifer Gordon e Joaquin C. Brieva, os médicos envolvidos no estudo. Segundo eles,  a exposição crônica aos raios UVA podem resultar em um espessamento da epiderme,assim como a destruição das fibras elásticas e problemas na córnea.
Os médicos afirmaram ainda que os raios UVA promovem mudanças no DNA que podem levar à formação de câncer de pele. Portanto, além de uso de retinóides e filtro solar diário, os especialistas recomendaram ao senhor um monitoramento periódico para detectar um possível câncer.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Cinema em Natal: só sendo muito fã (como eu)

Ir a um simples cinema em nossa cidade Natal é complicado. Temos dois lugares disponíveis, mas ambos sofríveis. Socorro!

Hoje fomos ao Cinemark no Midway Mall para a sessão Cine Cult, às 17 h 20 min, onde seria exibido "Faça-me feliz", produção francesa. Isso mesmo, seria. Chegamos bem antes das 17 horas e fui informada na bilheteria que a cópia disponível estava com problemas e não haveria exibição. Mas estava divulgado no site da empresa que haveria a sessão. Falta de respeito ao cliente! Se a equipe de Natal sabia que o filme não seria exibido, por que não pediu a alteração da programação no site?
No mesmo Cinemark, é muitíssimo comum as salas estarem sujas, com ar condicionado mal regulado ou simplesmente desligado. O banheiro? Parece de final de festa a qualquer hora que você entre lá, mesmo no início da tarde. Já fiz várias reclamações pelo "fale conosco" do Cinemark, inclusive hoje.

A outra opção é o Moviecom, no Praia Shopping. Faz tempo que não vamos lá pois, na última vez que fomos, o cheiro de mofo era insuportável.

Vamos aguardar a inauguração do Cinépolis no Natal Shopping. As notícias que tenho da filial no Rio de Janeiro não são das mais animadoras...

Como sou totalmente contra o consumo de objetos pirateados, tenho que esperar o lançamento em DVD para ver as novidades que não passam pela nossa província.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Cópia x falsificação: o que é pior?


Esta é uma bolsa luggage Céline, importante grife européia. Em Natal já vi pelo menos duas lojas vendendo cópias (rebatizadas de "releituras"). Quando uma empresa faz uma cópia e usa sua própria marca não comete crime. Crime é a falsificação, quando alguém faz a cópia e ainda por cima usa a marca do fabricante original.
Crime ou não, fala sério!!! Quem é que você engana comprando uma coisa copiada descaradamente ou uma falsa???? Em primeiro lugar, a você mesma.
Produtos falsificados podem inclusive causar danos à saúde. Óculos e tênis falsos tem efeitos maléficos comprovados.
Se você tem muita vontade, quase uma necessidade, de ter um produto de grife reconhecida, alguma coisa está errada. Pense bem. Não é uma bolsa que chega antes de você ou um par de óculos espetaculoso que vão te fazer uma pessoa melhor.
Eu gosto de coisas boas, não vou negar. Mas tenho meus graus de prioridade e patamares de gastos. Prefiro comprar um bom tênis para correr do que uma bolsa "última moda em Paris".
Acho mais honesto comprar uma bolsa numa loja de departamentos (Renner, C&A, Riachuelo, Zara) do que uma falsificada "made in China". Se puder gastar mais um pouco, procure um designer com novas propostas que combinem com você. Tem muita coisa boa e original no mercado. Se estiverem sobrando uns bons trocados, invista numa peça original de grife. Em muitos casos o alto custo compensa a qualidade e durabilidade.
Mas até aí tem um detalhe importante: não caia na tentação de comprar o que está todo mundo usando. Nossa cidade foi invadida por um verdadeira enchente de bolsas Michael Kors. Parece até bandeira do tipo "fui a Miami e comprei a minha lá!". Tem coisa mais cafona do que todo mundo igual???? Esta é a resposta para a pergunta do título...
AB